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A NOVA POLÍTICA 4.0

Por Eduardo Tardelli

O brasileiro pouco ou nada se relaciona com a política nacional – fato! E o porquê é claro: segundo informações da pesquisa Barômetro das Américas (LAPOP), 58% dos entrevistados estão insatisfeitos com a democracia no País. A desconfiança no Congresso Nacional e nos partidos políticos é um dos principais motivos para tal cenário: apenas 31% dos participantes disseram que confiam no Congresso e 13% acreditam em partidos políticos. Além disso, quase 80% da população considera que mais da metade dos políticos é corrupta.

Mas, a despeito desse aparente “desânimo” e descrença nacional, há um movimento de busca por uma maior aproximação dos políticos e da população, conhecido como política 4.0. Aplicado à civilidade, o termo se refere a ter representantes focados em servir os cidadãos de forma idônea e transparente, garantindo que a verba chegue aos setores que mais necessitam por meio de práticas mais limpas no uso do dinheiro público. Para tanto, investe-se em ferramentas tecnológicas que auxiliem na otimização de processos focados no combate à corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes, uso de propina e outros atos ilícitos comuns neste ramo (infelizmente!).

Um exemplo disso é a Lei Ficha Limpa, que busca incentivar a candidatura de indivíduos livres de qualquer tipo de processo envolvendo crimes, fraudes e atos corruptos, sendo considerada uma prática da política 4.0. Por meio de tecnologia, é realizada uma “filtragem” de quem está apto a ser candidato e traz aspectos de moralidade pública ou não, garantindo que o eleitor faça uma escolha mais assertiva (em questão de idoneidade e transparência).

A Checagem de terceiros é outra metodologia bastante conhecida em programas de compliance do mundo todo e que está sendo aplicada no ramo com o objetivo de verificar os antecedentes criminais, comerciais e financeiros de uma pessoa física ou jurídica. Antes aplicada somente na esfera privada para contratação de colaboradores, agentes públicos, fornecedores ou parceiros a fim de garantir que o novo relacionamento não apresente riscos ao contratante; hoje pode ser usada para minimizar fraudes, possíveis conflitos de interesse, processos e casos de enriquecimento ilícito.

O movimento é positivo e visa priorizar pessoas que estejam isentas de riscos à gestão pública e empresas, mitigando fraudes e roubos, afinal, expõe dados cadastrais; processos judiciais; dados sobre bens, imóveis, marcas e patentes; mídia negativa; situação na Receita Federal; quadro societário e relacionamentos entre sócios, administradores, empresas e filiais, em prol de uma política mais transparente.

É um “pente fino” necessário, em se tratando de administração de dinheiro público. Quanto maior o cuidado, menor a decepção. A sociedade como um todo agradece!

*Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) extraídos da internet e outras bases de conheciment

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