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Academias de ginástica e sindicatos firmam acordo para evitar demissões no setor em São Paulo

Após uma série de reuniões virtuais, três sindicatos, uma associação e o conselho regional de educação física chegaram a um consenso que envolve 12 mil academias e cerca de 90 mil trabalhadores do estado de São Paulo. Acordo permite suspensão dos contratos de trabalho temporariamente e redução de salário

São Paulo, abril de 2020 – Em uma articulação inédita, o Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região (CREF4/SP) reuniu-se com o Sindicato das Academias de São Paulo (SEEAATESP), a Associação Brasileira de Academias (ACAD Brasil), o Sindicato dos Profissionais de Educação Física do Estado de São Paulo (SINPEFESP) e o Sindicato dos Empregados de Clubes Esportivos e em Federações, Confederações e Academias Esportivas no Estado de São Paulo (Sindesporte) para costurar acordos que evitem demissões no setor. “Em anos de profissão, eu nunca vi a união dos concorrentes dessa forma. É um fato inédito a vontade de todos os empresários em manter os empregos diante de uma crise”, afirma Nelson Leme da Silva Junior, do CREF4/SP. “Em 21 anos de profissão, nunca houve tanta união e colaboração entre sindicato patronal e de funcionários”, comenta Ailton Mendes, diretor da ACAD Brasil.

Uma das principais medidas tomadas, acordada por todos, para evitar demissões no setor foi um aditivo ao contrato de acordo coletivo da categoria para que todas as academias do estado de São Paulo possam fazer uso da Medida Provisória 936/2020, publicada pelo governo federal e que permite, entre outras coisas, a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias e o corte do salário dos trabalhadores em até 70%, com redução da jornada. Em ambos os casos, os funcionários passam a receber benefícios do governo para manter a renda. Após o período da suspensão do contrato de trabalho, os empregadores se comprometem com a estabilidade do emprego de seus funcionários.

“É um acordo que vale para todo o estado de São Paulo. Agora, nosso sonho seria que em outros estados houvesse a mesma oportunidade”, comenta Nelson.

Com o acordo coletivo, ao invés de cada uma das academias do estado ter que fazer sua própria negociação a assinar acordos individuais, uma só assinatura vale para todos.

Além disso, a MP 936/2020 restringia a possibilidade de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e salário a profissionais com remuneração mensal até R﹩ 3.135. Quem ganhasse acima disso e até R﹩ 12 mil por mês precisaria de um acordo individual para fazer valer a medida provisória. “No acordo coletivo, equiparamos essa possibilidade a todas as faixas salariais”, diz Ailton. “Com isso, tenho a certeza de que conseguimos manter milhares de empregos, inclusive dos grandes talentos das academias, que são os profissionais mais bem remunerados.”

Estão envolvidos no acordo coletivo cerca de 12 mil academias do estado de São Paulo e 90 mil trabalhadores.

“Quanto maior o desemprego, mais difícil será a retomada quando essa crise acabar. Então, cada emprego que a gente consiga manter, será de grande valia tanto do ponto de vista individual como do coletivo”, finaliza Ailton.

Fonte: Grupo MD | Make a Difference

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