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Aderir à LGPD é diferencial competitivo para experiência do cliente


Carlos Wagner Lima

São Paulo, julho de 2021 - A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) acendeu uma luz sobre de que forma as empresas podem aproveitar as novas regras para melhorar a experiência com seus clientes. As oportunidades vão além da privacidade de dados, como sair na frente dos concorrentes, ter uma base de dados mais otimizada, melhorar a relação com o consumidor final e, ainda, a chance de se diferenciar como fornecedor que adota boas práticas. A partir de agosto deste ano, inclusive, não se adequar à nova lei pode também doer no bolso dos empresários, já que quem não aderir pode levar desde uma advertência até uma multa que pode chegar a R﹩ 50 milhões.

Pode ser um diferencial competitivo. Para as empresas, o recado é simples: se adequem! Não demorem. A lei já está valendo e seus concorrentes já estão correndo para fazer o mesmo. Quem aderir vai melhorar a sua relação com o consumidor, mostrando que respeita seus direitos e, ainda, tem a possibilidade de ser escolhido por oferecer essa segurança a mais, dentre aqueles que preferiram não aderir à nova legislação.

Outro benefício é a possibilidade de ter uma base de dados mais saneada, com informações mais exatas e otimizadas para que sejam utilizadas estrategicamente de acordo com seus objetivos comerciais e de marketing, por exemplo. Além disso, mitigará os riscos de uma possível sanção imposta por uma autoridade fiscalizadora, com base na LGPD.

Benefícios

Se adequar à LGPD pode ser um processo custoso para a empresa, reconheço. Mas no longo prazo traz muito mais benefícios que prejuízos. Eu costumo comparar a situação com a necessidade de se tomar uma vacina: a picada da agulha dói e causa desconforto inicial, mas seus benefícios superam este desconforto. Com a LGPD é a mesma coisa. As empresas precisam se adequar e investir, mas depois de adequadas, terão clientes mais engajados e felizes.

O empoderamento do cliente pessoa física, que é o titular dos seus próprios dados pessoais, é uma outra vantagem. E pode ser um fator de decisão na hora da compra. À medida que uma determinada empresa garanta a proteção e a transparência no uso de seus dados, o cliente vai preferir estar com ela, vai comprar do seu produto e pode virar fiel aquela marca.

Nas relações B2B, ou seja, de uma companhia com outra, por conta da obrigação de responsabilidade solidária imposta pela LGPD, as empresas passam a exigir de seus fornecedores e parceiros de negócio o mesmo comprometimento na adequação à lei. Afinal, a contratante não quer arriscar seu dinheiro e reputação por causa de um fornecedor que não se adaptou às exigências. Como resultado, empresas que não se adequarem serão descartadas como fornecedores.

Segurança digital

O Brasil é hoje um dos países que mais registram ataques cibernéticos e, por isso, a segurança digital, com a entrada da LGPD, passou a ter um grande peso nas empresas, que foram obrigadas a dedicar mais atenção a este tema, a revisar seus processos e a dispor de mais recursos, especialmente com pessoal especializado e de tecnologia. Aumentaram seus esforços, não somente para garantir Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade, como também a Privacidade. O mesmo tipo de aumento de esforço e de recursos observa-se sobre os departamentos jurídicos das empresas, que agora precisam, além de entender da lei, dominar aspectos mais técnicos relacionados a dados e sua proteção.

Enquanto o mercado não possui um selo de certificação amplamente reconhecido no mercado nacional, a minha dica às empresas é a seguinte: utilizem seus próprios canais de divulgação para informar aos clientes seus Programas de Gestão da Privacidade, atestando seu compromisso com o tema. E, ao fazer isto, a empresa demonstra transparência para com seus clientes.

Para você, consumidor, quer saber se seus dados estão seguros? Procure a empresa e pergunte. A LGPD lhe garante este direito. Pesquise no site da empresa os canais de comunicação oficiais para assuntos relacionados à privacidade e questione.

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Carlos Wagner Lima, DPO (Data Protection Officer, na sigla em inglês) do grupo Co.Aktion, que reúne as empresas Aktie Now, Callwe, Droz e 2listen

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