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Caso da Natura e da startup Singu mostra como a hiperexposição digital pode afetar o compliance de e

Com PLP 249/20 flexibilizando a exigência de conselhos em startups, experts em governança da Comunidade GoNew falam sobre a importância desses membros nas organizações

Na última semana a Natura teve o seu nome envolvido em uma polêmica nas redes sociais, após ter sido acusada por irregularidades na operação de compra da startup Singu. Para debater o assunto do ponto de vista da governança e da inovação, experts no tema da Comunidade GoNew se reuniram para uma breve discussão e avaliação dos pontos negativos, positivos e aprendizados que podem ser extraídos da situação entre as empresas.

Na ocasião, os experts também falaram sobre o papel dos conselhos de administração e fiscal dentro das empresas. Com o andamento do Projeto de Lei Complementar (PLP 249/2020), que institui o novo marco legal das startups e que visa, em uma de suas medidas, flexibilizar a exigência de conselhos de administração em startup, os experts aproveitaram para ressaltar a importância desse corpo de membros em situações como a vivenciada pela Natura e a sturtup.

O episódio nas redes sociais começou quando o influenciador Raiam Santos alegou através de uma postagem que a gigante havia investido na Singu com a intenção de recuperar a empresa que, no seu ponto de vista, não estava obtendo lucros.

De acordo com as informações divulgadas, um dos investidores da startup é enteado de Guilherme Peirão Leal, um dos acionistas e co-presidente do conselho da Natura, que poderia caracterizar como conflito de interesse e partes relacionadas – pontos questionáveis dentro das boas práticas de governança.

Para a Conselheira Certificada em Inovação e diretora do Programa ABPW da Saint Paul Escola de Negócios, Christiane Ache, é preciso ser objetivo na análise e não medir a temperatura da situação a partir da atuação dos influenciadores digitais. “A operação de compra da Singu faz muito sentido para o negócio da Natura, pois possibilita às consultoras e profissionais da beleza utilizarem uma plataforma digital para prestarem seus serviços. A grande questão é a maneira como o negócio foi feito e, com os dados que temos acesso até o momento, fica difícil analisar governança”, afirma.

A Natura é conhecida por ser referência em ESG, processos e boas práticas em governança corporativa, mas na terça-feira (01) as ações da companhia fecharam em queda de 3,51%. De acordo com Allan Costa, co-fundador da AAA Inovação, hoje em dia não há mais tema pequeno demais, irrelevante e insignificante. Governança na nova era da economia precisa ter transparência total nos negócios. “Estamos vivenciando a típica situação de governança e nova economia. Em época de hiperexposição, a Natura ficou em evidência por causa da discussão de dois influenciadores. A partir de agora os conselhos precisarão ser mais exigentes e levar todos os pontos em consideração”, ressalta o expert.

Na opinião dos especialistas, os documentos de balanço divulgados pelo influenciador Raiam Santos, não foram suficientes para concluir qualquer irregularidade na operação. Segundo Marco Poli, é normal uma startup trabalhar dentro de um modelo de aquisição e não prever lucro no início. “Não consigo chegar à maioria das conclusões às quais Raiam Santos chegou. O documento da Junta Comercial consta uma emissão de debêntures de 65 milhões de reais. Mas emissão não significa subscrição. Não existe nenhuma pista na documentação sobre o que aconteceu de fato no negócio, mesmo porque os debêntures nem são conversíveis, mas tem garantia real, o que não é nem usual para uma startup. Nada indica que o valuation foi, ou não foi, 65 milhões. De qualquer forma nada se pode concluir em definitivo apenas com o balanço, outras informações financeiras são necessárias para qualquer conclusão”, considera.

Participaram também do debate os Masters em Governança & Nova Economia e, também, Conselheiros de Inovação Certificados, Erlei Guimarães, Sergio Alexandre, Dongley Martins, Luiz de Lucca, Thiago Ayres e Francisco Milagres.

SOBRE O GONEW

O GoNew é uma Comunidade de mais de 20 mil pessoas unidas pelo propósito #SpeedAndSomeControl que busca inspirar práticas para empresas velozes e controles voltados ao futuro. Desde 2018 impacta a sociedade empresarial brasileira unindo dois dos temas mais impactantes da última década no mundo dos negócios: governança e inovação.

A Comunidade possui dois pilares: uma edtech pioneira no desenvolvimento de programas voltados para a alta decisão e conselhos de todos os tipos e portes empresariais e o Instituto Governança & Nova Economia, uma associação sem fins lucrativos que concentra os direitos dos conteúdos produzidos na comunidade, criando projetos de impacto que buscam ampliar o alcance às práticas de inovação. Para saber mais informações e ingressar na Comunidade, acesse o site www.gonew.co e faça parte dessa jornada hiperconectada.

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